Sábado, 15 de Março de 2008

Mudanças...

 

 

Todos os dias  que me levanto para começar mais um dia de trabalho, faço-o na expectativa que algo aconteça, que alguma notícia surja, vinda lá dos lados do País das Maravilhas. Um país que irradia  magia. Talvez porque habitam nele, uma casta especial de personagens fantásticas, que tudo fazem para que o país vá para a frente de vez.

As reformas sucedem-se em quase todos os sectores da vida pública, a uma velocidade estonteante, pois essas personagens estão numa corrida contra o tempo, e há que cumprir objectivos.

Tudo seria normal, se estas reformas acontecessem, enquadradas num estudo, e numa lógica que tivessem como objectivo essencial,  o de levar o país a poder estar equiparado aos seus congéneres europeus, em matéria de políticas sociais, de saúde educação entre outras. Que trouxessem um crescente de qualidade transversal a toda a sociedade portuguesa. Mas tal não se vislumbra.

O único objectivo destas reformas é de índole economicista.  Poupar..poupar...poupar.

Em matéria de educação, não pode estar pior. Só quem está dentro do seu labirinto, ou quem acompanha de forma séria o que se passa nesta área, consegue perceber o nível a que as coisas chegaram.

De tal forma é, que os debates sobre o assunto acontecem diariamente, convidando para o espaço público de opinião, a nata mais ilustre de comentadores. Todos dizem de alguma forma, coisas interessantes sobre o momento actual. Em relação à educação, as opiniões dividem-se, mas parece haver alguma unanimidade de opinião, quanto ao documento de avaliação criado pelo ministério, para avaliar professores. Todos o acham de uma enorme complexidade. A maior parte não se revê nele se supostamente, o tivesse como suporte de uma avaliação.

Só o ministério da Educação o acarinha da forma que faz, tentando demonstrar que o que está ali feito, é uma obra prima de alto rigor científico, prático e conciso, acessível em  termos práticos, e de interpretação obvia, capaz de transformar os professores de ontem, em professores modelo, diferenciados entre os seus pares, através deste instrumento avaliativo.

 Tudo isto acontece ao mesmo tempo que se sabe, que o que está ali não é para diferenciar os bons dos maus professores. É uma escada de dificuldades que a maioria dos bons professores  em tempo algum lá chegarão. Pois se as cotas acolhem um número tão reduzido de "professores de mérito", mesmo que haja outros que o mereçam, ficarão a aguardar, impávidos e serenamente, que um dia uma fada  chegue num dia de sol fantástico, vinda do país das maravilhas e transforme o universo de professores rascas (a maioria), em professores titulares, seres extraordinariamente maravilhosos, "sabedores e fazedores de um pouco quase de tudo" .Especiais também, por conseguirem ter o mérito de saberem ser bons  professores na sua turma, não a tempo inteiro, mas esse será um dos méritos, e conseguirem desenvolver paralelamente, todo um outro trabalho que se falássemos de rigor......exigiria o trabalho de uma quase equipa....

Mas falar mais de mudanças para quê?

Já estou a ficar confusa..

Afinal o que é que vai mudar na educação?..

Esta avaliação é mesmo para diferenciar os  bons e maus professores?

Não.

É a ministra que está preocupada  com as taxas de insucesso?

Não. Para isso não depositaria os alunos de ensino especial nas salas de aula sem terem técnicos para lhe valerem, e preocupar-se-ia com aqueles que têm dificuldades de aprendizagens, problemas emocionais...etc... Sabe que um só professor, não pode fazer um trabalho sério com mais que um ano de escolaridade, tendo ainda elementos na sala a precisarem de atenção redobrada, trabalho específico e individual..

 Os mais entendidos nestas coisas, sabem que todo este turbilhão de mudança,  em nome da diferenciação do trabalho  docente, foi apenas criado com o intuito de economizar milhões e milhões de euros, e não em nome do rigor e da qualidade.

No entanto ainda vou  conseguindo  sonhar... e penso na possibilidade que tenho, de ver um dia,  o meu trabalho  avaliado e reconhecido quiçá , por alguém  que use o rigor e faça um trabalho sério com os professores e com a Educação.

 Ansiosa..mas confiante, que um dia o momento chegue..

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

publicado por luana às 22:51
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2 comentários:
De Maria a 17 de Março de 2008 às 11:21
Como eu te entendo!! O economizar não fica apenas pela educação... economiza-se também em sectores como a saúde!! O que é muitíssimo grave!!

Não acredito que isto vá mudar... enquanto tivermos governos do PS e PSD, isto vai continuar assim... mais merda, menos merda...

São necessárias políticas diferentes, ideias de fundo diferentes e políticos que se preocupem realmente em levar o país para a frente e não apenas em governar para si e para aqueles a quem devem favores.


De paginadora a 25 de Abril de 2008 às 18:22
Pois é luana
Assim vamos vivendo, um dia atrás do outro à espera que as mentes brilhantes que mandam neste pobre país aterrem, com os pés bem firmes na terra. Claro que o que os move em primeiro lugar não é um projecto Educativo melhor e os professores mais motivados para o que é importante: ensinar.
O que os move são os números, apenas os números, numa lógica meramente economicista.
Um beijinho


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